domingo, dezembro 09, 2012

Virando a página




Para todos nós que fomos capazes de olhar e ver
O que fica de nossas impressões?
A marca de um toque na areia
Os círculos feitos na água que se espaçam e desaparecem
Os espaços entre o suspiro profundo da alma e a necessidade básica de respirar
A distância de uma imagem fantástica para um coração descompassado que não obedece ao desejo de conhecer
Os ponteiros do relógio que se despencam em círculos repetidos
O dia que se torna noite
O giro que disfarça o brilho constante do sol
A roda que esconde o fascínio pela vida em toda sua extensão
Os círculos que se elevam e despencam
Os declínios e ascensões
As eras que vão e vem
As ondas que se afastam e retornam
As fases que se repetem
As estações que se repetem
As histórias que se repetem
Os ciclos que se cumprem
O suspiro exausto de um dia duro é também a necessidade básica de respirar
As idas e vindas são um primeiro contato que aguardam um segundo passo
Ânsia pela iniciativa de seguir a diante sem se voltar para trás
Desejo de superar o ciclo e virar a página

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Mudanças proclamadas


A muito que sentimos brotar a necessidade de mudar. Esta necessidade se tornou quase uma urgência nos últimos anos. Então tornou-se um consenso de que esta na hora de transformar nossa realidade.

Sabemos disso e no fundo de nossos corações ansiamos pelo novo mundo, mas muitos, quem sabe a maioria de nós, não leva em consideração o quão doloroso é o processo de transformação, mudança.

Este processo não é externo, não começa lá fora no mundo, nas pessoas a nossa volta. O processo começa dentro de nós e precisamos entender que este não é algo fácil, agradável, confortável, tranquilo e pacífico.

Este processo é turbulento, doloroso, incomodo, porque ele meche com aquilo a que estamos acostumados, condicionados e educados. Definitivamente mudar não é coisa fácil.

Falar da necessidade de mudar é fácil, é comodo, pois nem sequer iniciamos nossa empreitada. Mudar um comportamento que repetimos a 5,10,20,30, 40 anos torna-se uma tarefa tão difícil quanto escalar o pico de uma montanha, torna-se uma batalha dolorosa e não confortável, para vencer condicionamentos, comportamentos que a anos vamos repetindo.

Uma pequena mudança que seja irá doer, porque ela irá nos tirar do lugar a que estamos acostumados a estar, ela irá remover um comportamento a que estamos acomodados, ela irá nos atirar para fora das paredes que construímos ao nosso redor, irá nos expor além da segurança a que estamos acostumados.

A transformação demanda infinita subtração de valores, comportamentos, segurança, conforto, acomodação, costume, repetição, entrega. A mudança quando iniciada vai removendo um por um, como alguém que arranca pragas de um jardim entregue a própria sorte. A remoção é dolorosa, a desintoxicação também machuca, deixar pra trás um comportamento a anos repetido não é fácil.

A maioria das pessoas está preparada para passar pelo processo doloroso das mudanças, mas poucos estão dispostos a abrir mão de seus vícios, comportamentos, de seu conforto, de sua acomodação, para realmente alçar voo rumo ao desconhecido. Deixar pata trás a mundo a que estamos acostumados demanda grande esforço, causa dor e sofrimento, pois trata-se de uma batalha diária travada em seu interior.

Pense como é difícil mudar, um costume que seja, em você, o ser humano tende, infelizmente, a repetição e acomodação. Digamos que você tenha um vício, seja pelo álcool, remédios, chocolates, cigarros, refrigerantes, cafés (seja o que for), você o repete diariamente durante anos de sua vida, porque está acostumado e por isso torna-se prazeroso, confortável, agradável, isto acalma os ânimos, relaxa, diverte, satisfaz, o faz feliz e assim, aos poucos, vamos entregando nossa satisfação, nossa “felicidade”, nosso divertimento e contentamento a coisas externas, a terceiros, a substâncias, a alimentos, bebidas, comportamentos, etc...

Cada vez mais vamos entregando nossas vidas a elementos externos e então, vamos nos enfraquecendo, nos minando, nos sabotando e passamos a depender sempre deste ou daquele suprimento, desta ou daquela pessoa para nos sentirmos seguros, confortáveis, felizes, satisfeitos.

Aos poucos vamos nos tornando reféns, vítimas, fracos, dependentes, nulos e então nos vemos incapazes de caminhar com nossas próprias pernas, incapazes de promover a mudança a que tanto aspiramos, ansiamos.

Como fazer acontecer? Como promover transformações? Visualizar mudanças, se não somos capazes de mudar nossos próprios comportamentos, se não somos capazes de vencer nossos próprios vícios, derrotar nossos próprios fantasmas, se não nos dispomos a deixar a zona de conforto, se não somos capazes de suportar a dor de modificar o mínimo comportamento que seja? Se não temos coragem em fazer nada sozinhos, porque dói, temos medo e não queremos sentir dor, não queremos sentir incomodo, insatisfação, não queremos contrariar nossos próprios desejos, costumes, repetições, para assumir verdadeiramente o controle sobre nossas próprias ações.

Muitas vezes não temos força de vontade o suficiente para mudar pequenas coisas em nós. Então entendemos que o que queremos não são mudanças, nem transformações, mas a perpetuação do que já somos, do falso conforto, falsa segurança, da falsa previsibilidade, da repetição, dos vícios e manias, das mentiras e ilusões. O que queremos é continuar nos entregando eternamente às fraquezas contra as quais nos negamos a nos levantar.

Chegamos então a conclusão de que o desejo de mudança não era sincero, era falso, uma demanda de ilusões nas quais tanto nos permitimos cair. Uma triste espera de que alguém ou quem sabe algo aconteça e faça por nós o que sozinhos não nos dispomos a fazer, pois afinal, capazes todos somos, porém poucos se arriscam a levantar voo rumo ao desconhecido.

Removemos de nós a capacidade de enxergar que em nossa maioria optamos todos os dias por não fazer a transição.

A dificuldade não deve ser encarada com desânimo, mas como um desafio. Para aprender a voar é preciso se arriscar a cair, a errar e se machucar para mais uma vez levantar-se e tentar, é necessário sair do lugar. Nada é para permanecer.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Show de horrores


Tenho andado por aqui já não é de hoje

Sempre me trazem de volta e de volta a qualquer lugar... Ao mesmo lugar

Comprimo toda a extensão destes anos, dessa infinitude num pequeno invólucro

A partir daí a consciência segue a se esquecer, a tornar-se gradativamente medíocre e pequena

Apegada e presa, atada a valores e ilusões, venho mentindo estar tudo bem desde então

Tapo os olhos para não ver o horror, tenho medo, não posso abri-los e encarar meu próprio rosto

Temo as respostas às perguntas que faço, então me mantenho na superfície, adio a descida até as profundezas deste oceano desconhecido

Estou sempre ponderando se vou mesmo fundo na verdadeira natureza da consciência a mover este veículo carnal perdido em sua pequenez

Descobrir, buscar, aquilo que no fundo já sei, mas escondo para não perder o controle

No silêncio profundo desta consciência infinita um aviso emerge de tempos em tempos: Não há como escapar, nem se esconder, você sabe!

Este hospício de caminho sem volta, ruas sem saída não há nada senão o impossível, a impotência e a fraqueza, alienação, isolamento, uma torre de retenção para enfermos que dormem profundamente no pior dos pesadelos

Estou doente, entorpecida... Quero sair mas não consigo, estou morrendo.... há muito estou morrendo.

Não consigo me mover, é preciso calar tudo ao redor para que possa ouvir o pranto desesperado desta voz que chama, desta mão estendida, deste corpo que pede apoio, deste eu que se afoga numa fachada de afazeres e metas a cumprir, uma realidade pervertida e vazia.

Então sobe um suspiro que vem do íntimo e acredito estar tudo bem. Não está... Tudo não passa de um pesadelo.

Um dia acreditei em tudo que me diziam, aceitei tudo o que me afirmavam, concordei com tudo que me informavam, andei nos trilhos, na medida traçada do possível, me esforcei... Hoje já não é mais assim, não acredito mais no que me dizem, não aceito mais o que me afirmam, nem concordo mais com o que me informam, saí dos trilhos, invadi a medida traçada do possível, pisei na margem, por mais que eu queira não há como voltar a ser o que era, só posso fingir, disfarçar...

Involuntariamente permaneço a me questionar, a buscar as cordas acima do palco a mover esta encenação de títeres. Muitas das perguntas permanecem em segredo, nem todos entendem, então me calo, para que falem as vozes da razão, os donos da verdade, as certezas absolutas, as afirmativas assertivas, as colocações comprovadas, as autoridades inquestionáveis.

Por dentro permaneço a rir deste circo como um louco que esboça um sorriso escrachado no rosto, imagino então minha fotografia exposta no quadro da polícia entre os procurados, crime: Desvio de conduta. Fecham-se as cortinas.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Não conte comigo

Imagem retirada do site não conte comigo


Certo dia disse como todo e qualquer mortal: “Conto com todos”, “Conto contigo”, “Conte comigo”.

O que mais de tantas ilusões eu disse?

Não conte mais...

Não conte comigo, nem com todos. Não conte mais...

Quando de todas as ilusões, uma sequer tenha valido realmente a pena, não me conte nem comigo conte.

Por um acaso contastes mesmo consigo, com quem quer que seja, sem que lhe postasse uma bela dose de cobrança, acrescido de certa desconfiança, expectativa e medo?

Não conte comigo, não estou aqui para lhe oferecer segurança, estabilidade, previsibilidade, nem para amparar um peso que mal se sustenta de pé sobre suas próprias bases.

Não, este não é um recado ou aviso pessoal, esta é uma realidade que se encaixa ao ser humano.

Não é preciso segurança, nem estabilidade, não é preciso buscar eternamente tais ilusões de estado que a nada levam a não ser ao caos.

Não é preciso depender, se apegar, agarra-se, como um desesperado que se afoga. Não há porque encontrar um porto seguro para de lá jamais sair, se manter constante, sempre o mesmo. Não há necessidade de se ancorar, se apegar.

Não conte comigo para o dever ser, nem para o sonho dourado do amanha, para o sucesso vindouro.

Não conte comigo para projetar o futuro, desenhar ilusões, colorir um apego desesperado pela segurança almejada.

Não é preciso se arrastar em sentimentalismos e emocionalismos para provar do amor, muito deste calor a que chamamos humano não passa de um amontoado entulhado de ideias e afetações medíocres.

As paixões a que muitos se curvam não passam de auto satisfação, por vezes um sofrimento pelo qual se atinge prazer, uma confusão doentia, um conflito inútil do ego. Prisão para a alma.

Escravos da dor, do estúpido vir a ser. Ciclos, idas e vindas, novidades de uma vida que não passa de repetições disfarçadas.

O mesmo se perpetua ao longo dos séculos e no tempo se nutre para tornar-se cada vez mais forte a roda que gira e resvala sempre pelos mesmos caminhos.

quarta-feira, novembro 16, 2011


Há algum tempo opero no limite. Até onde se estendem as fronteiras que me cercam, entre visão e cegueira, eminencia de emergir. Prestes a submergir de volta ao fundo, ao silêncio eterno dos oceanos calados, onde mal se propagam as ondas de som. Universo infinito a calar o caos insignificante das vidas que aqui se chocam para sobreviver.

Certo dia chorei no caminho para casa, um retorno custoso, certa do cansaço. As lágrimas continham no sal amargo das águas que rolam, um sentido que se afasta dos dramas da vida, da teia de relacionamentos que nos envolvem e aprisionam nas mais obscuras tragédias. Um mundo de milhares de egrégoras, imensos cúmulos a escurecer, entristecer.

Aos poucos a mente que insiste em reger meus movimentos, pensamentos, sentimentos, começa a desvelar o caminho linear e certo da vida, um novelo intrincado, labirinto confuso, um quebra-cabeças que jamais se encaixa. O filme retrocede ao passado e então começo aos poucos a desaparecer, apagar-me diante dos eventos que forjaram uma história de vida.

Pondero sobre a possibilidade de definitivamente apagar os registros que me identificam como parte da vida daqueles que assumiram papéis neste filme da vida e então me desloco do universo onde meu ser significa o que quer que seja para aqueles que por mim passaram, para um em que ainda não emergi como vida assim como a concebemos.

Num mundo de silêncio e observação, sem que haja interferência dos dramas de demasiadas origens, das dores de infinitas naturezas, um eterno entender, uma compreensão que transcende a vida humana se me revela possível, um ser que independente da matéria, pura energia a existir e mover-se infinitamente além do tempo. Além da humanidade. Além da verdade. Além da moral. Além do organismo simples e complexo.

E se pudesse ser além das fronteiras do saber. Além do conhecido. Do experienciado. Do possível.

E se eu pudesse deixar de ser a individualidade de um ser que se difere dos outros neste mundo. E se pudessem cair os muros do que sou, da personalidade que anima este corpo, da singularidade que impulsiona esta vida e se pudesse fazer parar esta mente que tagarela e ofusca a beleza do silêncio.

E se pudesse deixar a transitoriedade para ascender ao que não teve princípio nem há-de ter fim.

Aos poucos o movimento foi apagando as milhares de existências e o coração que a pouco se ressentia em deixar e se desapegar, foi-se aquietando e aceitando o desconhecido, ouvindo pacientemente as vozes se calarem, os vultos se apagarem, as ameaças se extinguirem, chamando para si o infinito daquilo que jamais fora experimentado. É certo que as retas paralelas irão se cruzar em algum ponto no espaço. Suspiro aliviada.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Um dia...


Um dia...

Um dia teremos isso e seremos aquilo e então seremos felizes...

Um dia chegaremos lá...

É sempre um dia,

Um dia que não se sabe qual, porque nos parece longe

Um dia que não é amanhã, nem depois, apenas um dia...

Assim como estes três pontos no final das frases que parecem não querer terminar, ou que parecem querer dizer mais, sem ainda saber o que...

Tudo fica em extenso, nada pousa, por isso nada do que um dia queremos que seja, podemos tocar.

Não podemos tocar esta ilusão, mas podemos vivê-la e, por tanto querer que seja feita realidade, podemos por ela viver e lutar.

Pela ilusão brindamos e torcemos para que um dia... você sabe... quem sabe um dia...

Mas sabemos que a cada passo do tempo, um dia se torna cada vez mais distante, como se de nós quisesse escapar...

Uma poeira no vento, uma fumaça na brisa, soprada cada vez mais para frente...

Enquanto isso nós vamos ficando por aqui, sonhando eternamente com o dia em que um dia chegará para nós, tal qual sombras a esperar pela luz gloriosa do sol.

Hoje o céu permanece nublado, carregado de sonhos, perspectivas, desejos, ilusões...

Um dia quem sabe ele se abra e então teremos alcançado o tão esperado dia.

É sempre muito distante, aquilo que não se pode ter, se não fosse o desagrado dos dias de hoje, quem sabe hoje não pudesse se tornar um dia, aquele dia!

sábado, outubro 15, 2011

Parabéns aos verdadeiros mestres

Que seja reconhecido valor aos verdadeiros mestres. Àqueles que carregam no coração a paixão por passar adiante o aprendizado não somente disciplinar das grades propostas pelas escolas e universidades, mas um aprendizado que vai além das fronteiras da escola, aquele que carregamos para sempre em nossa jornada, aquele que nos toca a alma e com ela viaja por toda nossa existência.

Aos mestres amigos, arautos do saber, seu dia são todos os dias, enquanto houverem alunos dispostos a aprender e ensinar a quem vos auxilia no caminho da vida. A ELES TODO NOSSO CARINHO E ADMIRAÇÃO!




A estes que se intitulam professores, mas que nada são além de egos inflados e decrépitos, seres escravos da vaidade, a se supor donos da verdade, nada são além de pobres coitados a jorrar sua frustração e pretensão sobre os alunos. A ELES TODA NOSSA I-N-D-I-S-C-I-P-L-I-N-A!