terça-feira, abril 18, 2006

Quando se tem uma bicicleta tudo fica diferente

Quando se tem uma bicicleta, tudo fica diferente... Só tendo uma para saber a sensação. Como dizem por aí, depois que se aprende a andar de bicicleta, nunca mais se esquece. Talvez tenham mesmo razão... Antes uma bicicleta do que qualquer outra coisa. Veja bem, eu disse antes e não no lugar. Ela é ideal e pode se adequar a qualquer ambiente e pessoa. Não sei bem se é assim que funciona, mas ter uma bicicleta não é tão simples nem tão complicado quanto ter uma ideia.

Se você tem uma bicicleta, pode vir a ter disposição para pedalar, e, pedalando, pode vir a ter ideias – ou apenas pensar em coisas sem muita importância, como, por exemplo, parar quando o sinal fechar... Quanto às ideias, pense nisso você mesmo(a) quando estiver pedalando por aí: conversas triviais, confissões de cansaço e falta de fôlego, mas, ainda assim, nos sobra empolgação.

Andar de bicicleta não seria bem mais do que apenas pedalar?

Pense em quantas pessoas tiveram ideias, refletiram sobre algo que estava em sua cabeça ou se perderam em pensamentos diversos. A importância de tudo isso na vida de quem quer que seja é relativa... E, claro, como já dizia Einstein: "De absoluto, só a relatividade."

Estava cá, pensando com meus botões, sobre como tudo nos escapa de repente: a distância percorrida, assim como o tempo gasto ao pedalarmos, tudo além do horizonte, que por inteiro não podemos sorver com os olhos. Afinal, o cérebro não poderia armazenar tanta "informação" ao mesmo tempo.

Nestas divagações, não existem o branco ou o preto; não há linha de demarcação entre um pensamento e outro ou entre uma imagem e outra. O que existe é a distância percorrida em medidas como metro, quilômetro... O tempo gasto em segundos, minutos, horas... A energia utilizada pelo corpo que guia a bicicleta, dentre outras coisas.

Einstein também tinha uma bicicleta e estava sujeito às mesmas leis físicas a que cada um de nós estamos. Mas Einstein foi o que foi, e às vezes me pergunto: o que será que ele pensou, uma única vez, enquanto andava de bicicleta? Para essa pergunta, jamais encontrarei uma resposta plausível. E, como não me canso de citá-lo, farei isso novamente quando ele diz: "A imaginação é mais importante do que o conhecimento." Nesse caso, cá ficarei apenas a imaginar seus pensamentos.


Como a música nos move daqui a qualquer lugar, lembrei-me de uma composta por Sid Barrett, ex integrante da banda Pink Floyd, se intitula Bike, segue a letra logo a baixo:

I've got a bike.
You can ride it if you like.
It's got a basket, a bell that rings and
Things to make it look good.
I'd give it to you if I could, but I borrowed it.
You're the kind of girl that fits in with my world.
I'll give you anything, ev'rything if you want things.

I've got a cloak.
It's a bit of a joke.
There's a tear up the front.
It's red and black.I've had it for months.
If you think it could look good,
then I guess it should.

I know a mouse, and he hasn't got a house.
I don't know why.
I call him Gerald.
He's getting rather old, but he's a good mouse.

I've got a clan of gingerbread men.
Here a man, there a man,
lots of gingerbread men.
Take a couple if you wish.
They're on the dish.

I know a room full of musical tunes.
Some rhyme, some ching.
Most of them are clockwork.
Let's go into the other room and make them work.

Essa música me lembra a empolgação de uma criança, talvez a intenção nem seja essa...

Todas estas ideias rodeadas pelo fato de se ter uma bicicleta podem transparecer algo idiota de minha parte ou da de quem compartilhe das mesmas, seria então um consolo saber que estamos todos fadados a este papel. E lá vou eu de novo reavivar as palavras de Einstein e finalizar logo com isso: "Há duas coisas infinitas; o universo e a tolice dos homens."

quarta-feira, abril 12, 2006

Os campos são verdes com ou sem Absinto

Primeiro, a bebida.
Dela, um sabor meio amargo na língua, uma dormência nos lábios, um perfume no hálito, uma leveza no corpo.
Pequenos voos, pensamentos vazios, o tempo parado e perdido, verdades roubadas, queda livre e a perda de si.

Seria a fada verde? Não saberia dizer.

Se alguém nos chama, não ouvimos; e, se ouvimos, certamente não é a verdade.

Vamos por ali, onde os campos são livres e verdes, vazios e frescos. Vamos até lá.
Vamos correr até cair, até perdermos o fôlego e nos curvarmos.

Com ou sem a fada, com ou sem a bebida lúdica, com ou sem loucura, os campos lisos permanecem onde estão.
Eles esperam por pés que os toquem, por aqueles que corram sobre seu verde, que se curvem e caiam de cansaço e depois se levantem, livres e leves, para correr uma vez mais.

Os campos estão lá, à sua espera, e você está à espera das aventuras que eles propõem.

Aguarda-te o silêncio do verde, e o verde aguarda teus gritos e suspiros em busca de liberdade.
Eles modificam nosso olhar, mesmo que recaia sobre as mesmas coisas de sempre.
Oferecem o que você quiser, e você, o que oferece a eles?

Eles não desistem de você, embora você desista deles.
Não podem esperar mais nenhum segundo sequer, mas ainda assim esperam.



domingo, abril 09, 2006

Grana

Quero grana porque quero luxo
porque não me contentei
porque não me canso de desejar o que não posso ter e o que não posso ser
porque posso não ser nada nem ninguém
porque me importo
porque por hora não mais me importo
porque sumo de onde não quero estar e apareço onde me convém
porque nada precisarei dizer
porque almejo muito além dos limites impostos
porque meus pés agora não tocam nem mesmo o chão que piso, por sonhar noite e dia
porque meus pés tocarão todos os solos num estalar de dedos
porque quando conquisto, logo me enjoo e saio a procura de algo que me distraia por mais algum tempo
porque não quero nada de sério com a vida, nem ela comigo
porque nada é o suficiente nem bom o bastante
porque sou um poço sem fundo
porque sou imediatista e não posso esperar
porque tenho sede
porque tenho fome
porque não posso parar
porque não quero parar
porque tudo esta além de meu controle
porque quero me iludir
porque quero me enganar
porque quero me comprar
porque me esvaziei
porque as futilidades que tanto luto em dizer que não tenho serão o prato do dia
porque quero mergulhar na estupidez
porque cairei em tentação e em danação
porque acreditarei estar no paraíso, quando em verdade estou no inferno.

domingo, abril 02, 2006

O mar é uma coisa...

Só para lembrar meu fascínio pelo mar, desvendar muito além de sua superfície, submergir em sua profundidade e tornar-me oceano, por vezes calmo e gentil, por vezes violento e intolerante, quente ou frio, dançando sob seu próprio som.
Nem bom nem mau, natureza sem dono, sem nação, sem nome apenas a existir e ser o que é.
Quão distante de mim tua totalidade aparentou estar, quão próximo de minha totalidade sua ínfima fatia esteve sendo esta suficiente para levar-me a alma.