quinta-feira, outubro 20, 2011

Um dia

Um dia...
Um dia teremos isso e seremos aquilo e então seremos felizes...
Um dia chegaremos lá...
É sempre um dia,
Um dia que não se sabe qual, porque nos parece longe
Um dia que não é amanhã, nem depois, apenas um dia...
Assim como estes três pontos no final das frases que parecem não querer terminar, ou que parecem querer dizer mais, sem ainda saber o que...
Tudo fica em extenso, nada pousa, por isso nada do que um dia queremos que seja, podemos tocar.
Não podemos tocar esta ilusão, mas podemos vivê-la e, por tanto querer que seja feita realidade, podemos por ela viver e lutar.
Pela ilusão brindamos e torcemos para que um dia... você sabe... quem sabe um dia...
Mas sabemos que a cada passo do tempo, um dia se torna cada vez mais distante, como se de nós quisesse escapar...
Uma poeira no vento, uma fumaça na brisa, soprada cada vez mais para frente...
Enquanto isso nós vamos ficando por aqui, sonhando eternamente com o dia em que um dia chegará para nós, tal qual sombras a esperar pela luz gloriosa do sol.
Hoje o céu permanece nublado, carregado de sonhos, perspectivas, desejos, ilusões...
Um dia quem sabe ele se abra e então teremos alcançado o tão esperado dia.
É sempre muito distante, aquilo que não se pode ter, se não fosse o desagrado dos dias de hoje, quem sabe hoje não pudesse se tornar um dia, aquele dia!

domingo, outubro 09, 2011

Revolução pessoal

Para promover a transformação, a renovação, a revolução, é preciso partir de si mesmo e não apenas de autores, manuais, ideais, opiniões alheias, filmes, professores, cursos, entre tantos outros. A revolução começa internamente e, a partir daí, se expande para o mundo externo como consequência da transformação que já explodiu e inundou todo o seu ser, permitindo que você enxergasse com seus próprios olhos a ilusão erguida diante de si como realidade.

Não se trata de concordar ou discordar desta ou daquela posição; não estamos falando de um simples posicionamento, mas daquilo que é. Quando a transformação torna-se parte do próprio ser, a consciência se desloca em direção ao caminho da revolução, tornando irresistível a mudança à sua frente.

Não se trata de fé cega ou de crer sem ter experimentado por si mesmo a implantação de uma nova consciência. Não se trata de seguir ou aceitar este ou aquele dogma, estas ou aquelas colocações e posicionamentos. Não há fé nem religião, mas sim questionamentos, pois, ao visualizarmos pessoalmente a realidade em que habitamos sob um panorama mais amplo, somos levados a refletir e a enxergar além das imposições externas.

Não adianta concordar com quem quer que seja; é preciso ver e perceber, por si só, a ilusão em que vivemos. Quando isso acontece, tudo se torna tão claro que essa realidade torna-se inaceitável. É necessário partir do coração, despido de sentimentalismos, e da razão, livre de condicionamentos, alcançando a lucidez suficiente para perceber o cenário erguido e, por meio dessa percepção, abrir, pouco a pouco, as cortinas dessa grande peça. Então, aquilo que tomávamos por tudo perde o sentido, dando lugar a um mundo infinito de possibilidades, um desconhecido pronto para ser explorado por nós mesmos, sem depender de opiniões alheias, posicionamentos consagrados ou visões especializadas. A jornada passa a ser trilhada conforme nosso verdadeiro ser, e não segundo aquilo que nos foi imposto ou empurrado goela abaixo.

É um caminho no qual somos senhores de nós mesmos, capazes de decidir de forma independente e confiante, sem nos basearmos rigidamente nisso ou naquilo. É preciso conquistar a confiança em nossas próprias capacidades, ainda não exploradas e muitas vezes desconhecidas, e nos empenharmos no desenvolvimento livre e ilimitado do potencial humano, em harmonia com o todo, em unicidade e não em fragmentação. Não há superioridade de um grupo sobre outro; o que existem são seres que fazem parte de um mesmo organismo, cujo desempenho só será eficaz se houver colaboração e trabalho conjunto, em vez de submissão a divisões inúteis e ilusórias que apenas destroem esse organismo e não levam a lugar algum, mergulhando todos em uma panaceia sem sentido.

É necessário trilhar o caminho para, então, aderir à causa. A vontade nasce no coração daquele que, por si mesmo, descobriu sua verdadeira vocação para o conhecimento.